Fernanda


Gente! Como eu estou relapsa... Aliás, esse blog aqui está mesmo as moscas... Estou precisando tomar vergonha e voltar a escrever decentemente... Mas, para tentar "reavivar" o blog, vale comentar sobre o monólogo de Fernanda Montenegro que eu vi no final de semana passada. Quando me convidaram para ir ver o espetáculo, fiquei com o pé atrás: um monólogo sobre Simone de Beauvoir. Tava achando que seria aquela coisa arrastada... Mas, a companhia era espetacular, então resolvi arriscar.

O Monólogo está em cartaz no Teatro Raul Cortez, que eu ainda não conhecia. Diga-se de passagem que o Teatro é realmente muito bom. Vale a pena ir assistir a qualquer montagem por lá. Tem alguns  problemas com estacionamento, então se você não estiver hospedado muito longe, vá de taxi. Todos os outros ítens foram devidamente aprovados (o mesmo  não se diz do teatro da FAAP, que só teve de bom - aliás, excelente! - o estacionamento... O resto, ESQUEÇA...)

Entramos e eu me apavorei: cortina levantada e só uma cadeira no centro do palco. Nada. Nadinha de qualquer outro cenário... Ômeupai! Sentamos e tratei de ir logo arrumando uma posição para poder dormir melhor... Sabia que o babado ia ser forte, longo e chato. Para piorar, o espetáculo começou atrasado. Pouca coisa, apenas 5 minutos, mas estamos falando de São Paulo, o local mais civilizado do  Brasil... Eu já querendo que começasse logo, pra poder terminar logo... Após o terceiro sinal, uma voz em off dá as informações sobre o espetáculo, e informa que terá a duração de 60 minutos. Eu ouvi 60 longos e dolorosos minutos. Juro que ouvi isso, mas Binho disse que a moça só falou "60 minutos"...

Eis que entra Fernanda. Altiva sem arrogância. Vestida de forma simples: camisa de cetim branco de manga comprida e uma calça preta. Tudo folgado. Nada que marcasse a silhueta. Senta-se na cadeira, no meio do palco e começa. A iluminação do palco permanece a mesma durante todo o espetáculo. Cinco minutos depois, estamos todos de pé, ovacionando a diva. Genten! A mulher hipnotiza! Já estava lá há 60 minutos, mas pareceu 5! Ela nem se levantou da cadeira, mas a gente, na plateia, mal conseguiu respirar ou piscar o olho. A gente ia absorvendo as palavras, as histórias, e de repente ACABA! Eu até chorei quando ela fala sobre a morte de Sartre.... 

Fernanda é Fernanda... Irretocável! Merece cada prêmio que já recebeu (inclusive o Oscar, que deveria ser dela, mas quem mandou nascer Tupiniquim?) Assistir Fernanda é um privilégio que todo mundo deveria ter. Um prazer que não dá pra morrer sem ter.


PS - Se puder, vá ver em Sampa: Viver Sem Tempos Mortos - Teatro Raul Cortez (R. Dr. Plínio Barreto 285). Tel. (011) 3254-1700. 6ª, 21h30, sáb., 21 h, dom., 18 h. R$ 80/ R$ 100. Até 27/11. 

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